CD Purunga - 2016

Purunga

CD “Purunga”

Produção e Direção Musical:
Levi Ramiro

Gravado nos estúdios:
Bojo elétrico ( São Paulo SP),
por Ricardo Vignini,
Ventamoinho (Campinas SP),
por João Arruda,
Visual Stúdio (Pedralva MG),
por Diovani Bustamante e Estúdio Gaia (Bauru SP),
por Manu Saggioro

Mixagem:
Estúdio Bojo elétrico (São Paulo SP), por Ricardo Vignini
e Levi Ramiro
Masterização:
Estúdio Música Bacana (São Paulo SP), por André Ferraz
Fotos: Adriano Rosa
Textos: Josiane Giacomini
Projeto Gráfico: Gustavo Guimarães

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Purunga - Texto de Apresentação Josiane Giacomini:

Violeiro

As cordas de uma viola são como os trilhos de um trem… Têm linhas de escape, de recuos, breques… improvisos. E neste território quem faz a viagem define a toada que vai levar. Algumas vezes a linha é reta. Noutras, há inúmeras idas e vindas para se chegar ao mesmo lugar. Para alguns, as imagens da janela vão além das paisagens… Às vezes, num rincão escondido no pé da serra, um saber genuíno se apresenta e ensina. Com o compositor, músico e artesão de instrumentos, Levi Ramiro, a vida sempre foi assim…
Fazer e tocar viola não são coisas dissociadas. Pelo menos não na vida de Levi Ramiro. É tudo junto, no mesmo balaio. Mas, claro, ainda tem as casualidades (ou será destino?).
“Certa vez, andando pela avenida São João, em São Paulo, entrei em um sebo”, diz. Podia não ter encontrado nada, mas deu de cara com o livro Cocho Mato-grossense um Alaúde Brasileiro, da professora e pesquisadora Julieta de Andrade. “Fiquei curioso, comprei e depois me encantei com o livro”.
Veio a inspiração. “Partindo do princípio da fabricação da viola de cocho, pensei em fazer uma viola caipira escavada de uma madeira só”. Não deu outra. “Comprei pontas de pranchas de cedro, caixeta, freijó e outras madeiras mais leves. Desenhava o contorno da caixa de onde sairia o fundo e a lateral escavava primeiro, depois cortava o contorno. Em seguida, na sequência, colocava tampo, braço, escala, trastes, cavalete, tarraxa etc…”.
Acabou por fabricar cerca de 45 violas escavadas, de diferentes tamanhos e formas. “Usei também a fórmica para fazer fundo e lateral. Fiz três violas de fórmica.

Cabeça, cabaça/ Basta uma letra e o pensamento vira som.
Os tipos de matéria-prima empregados por Levi Ramiro na confecção de suas violas também chamam a atenção. E, outra vez, ele seria instigado por um livro (Viola Caipira, do músico e pesquisador Roberto Corrêa). “Foi a primeira vez que vi uma viola feita de cabaça”.
“Sempre fui encantado pelo trabalho simples e objetivo do artesão matuto, intuitivo, sem muito padrão, aquele que não tem muitos recursos nem ferramentas, não faz acabamento requintado e usa muito do que a natureza tem”, resume.
Foi desta forma que começou a fabricar a viola de cabaça. “Por ela ser assim, totalmente despadronizada, é na fabricação que eu tenho que mudar algumas coisas, criar algumas estruturas, porque a cabaça não tem o volume e a lateral de um instrumento normal”.
E apesar das dificuldades que a feitura de um instrumento de cabaça impõe, esse material, também chamado de purunga, porongo, cuia… Proporciona um corpo surpreendente para um instrumento, em função das “diferentes formas, pela beleza orgânica e estética que apresenta, o que particularmente me atrai”, confessa Levi Ramiro.
É que a ausência de um padrão pré-definido permite, segundo ele, que apareçam “diferentes timbres e poucas características básicas na sonoridade”.
O ofício de Levi Ramiro, como ele mesmo define, “tem muito de querer traduzir a natureza do som, a espontaneidade, de não estar contaminado por uma questão mercadológica”. Em três frases: “ Sou desse jeito. De sentir a música. Acredito nisso”.

Josiane Giacomini

Os instrumentos usados na gravação foram fabricados por Levi Ramiro, exceto: Vaso de cerâmica, que pertence a João Arruda, usado na faixa Jandaíra. Calabash, vinda de Mali (África), que pertence a André Rass, usada nas faixas Flor do guapé, Purunga, Zé Limeira num afoxé lá em Tietê e Realejo de cantigas. Pandeiro, fabricado por Paulinho do Pandeiro, usado nas faixas Pegapacapá e Zé limeira num afoxé lá em Tietê. Chocalhos, fabricados por Thoshiro, usados na faixa Diz aí, Curupira.

 

Agradecimentos:

A todos os amigos e parentes que me recebem sempre com carinho nas suas vidas, dividindo em tempo; ora trabalho, ora diversão, ora pensamentos… Em especial aos músicos, parceiros e profissionais que participam no “Purunga” e aqueles com quem dividi e divido os palcos da vida, um abraço carinhoso! Saúde, paz, amor e trabalho feliz. 

Levi Ramiro